Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
como um haiku

 

 

Gatinho recém-nascido
abandonado à beira do caminho
pequeno e pulsante como un haiku

Levaram-no para casa
chamaram-lhe Bashô

 

poema inédito de Manuel Silva-Terra

 

 



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Domingo, 29 de Novembro de 2009
As cigarras vão morrer

Renata Moise

 

No jardim todo branco

vem defecar

um gato vadio


Masaoka Shiki, em As Cigarras Vão Morrer, Haiku, Uma Antologia, selecção, versões e notas de Manuel Silva-Terra, 2008

 



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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Sam

 

 

Andy Wharol



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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Aconchego

 

Agora que o Inverno parece ter-se finalmente instalado...

 

 

Spencer Frederick Gore, 1878-1914


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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Mulher a Ler

Will Barnet, 1970



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Domingo, 22 de Novembro de 2009
A gata Sabina

 

 

Fotografia encontrada em tempo contado

 



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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Frida

 

Frida Khalo, Autorretrato con collar de espinas y colibri, 1940


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Sábado, 10 de Outubro de 2009
que nos olha


 Colette

 

Um gato é aquele ser impassível que, sem cerimónias, pode instalar-se – a afirmar direitos e intimidades – exactamente sobre o caderno onde o dono está a escrever; mas é também aquele que é capaz de, distraidamente, se passear por cima de montes de papéis espalhados sobre uma secretária sem que o mais pequeno desvio se note depois da sua passagem. (...)

 

O gato é também aquele ser que nos olha com intensidade mas sem expressão, de forma que nas suas pupilas, mais ou menos dilatadas, apenas podemos descobrir um inteligente espelho de nós próprios e do mundo por trás de nós, ao mesmo tempo que no seu brilho encontramos a lampadazinha de que fala Adams, que devassa os caminhos para os tesouros insuspeitados existentes no nosso íntimo.

 

Maria Cândida Zamith Silva, A Figura do Gato como Capa para Considerações mais Profundas: Lope de Vega, Hoffman, T.S. Eliot



publicado por arcadajade às 09:22
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Pop

blake

 

Peter Blake, The Owl and the Pussycat, 1981


 

 

I

The Owl and the Pussy-cat went to sea
    In a beautiful pea green boat,
They took some honey, and plenty of money,
    Wrapped up in a five pound note.
The Owl looked up to the stars above,
    And sang to a small guitar,
'O lovely Pussy! O Pussy my love,
      What a beautiful Pussy you are,
          You are,
          You are!
What a beautiful Pussy you are!'

 

II

Pussy said to the Owl, 'You elegant fowl!
    How charmingly sweet you sing!
O let us be married! too long we have tarried:
    But what shall we do for a ring?'
They sailed away, for a year and a day,
    To the land where the Bong-tree grows
And there in a wood a Piggy-wig stood
    With a ring at the end of his nose,
          His nose,
          His nose,
With a ring at the end of his nose.

 


III

'Dear pig, are you willing to sell for one shilling
    Your ring?' Said the Piggy, 'I will.'
So they took it away, and were married next day
    By the Turkey who lives on the hill.
They dined on mince, and slices of quince,
    Which they ate with a runcible spoon;
And hand in hand, on the edge of the sand,
    They danced by the light of the moon,
          The moon,
          The moon,
They danced by the light of the moon.

 

Edward Lear, Nonsense Poetry and Art



publicado por arcadajade às 21:13
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Domingo, 6 de Setembro de 2009
GATO

foto retirada daqui

 

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar?

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill

 



publicado por arcadajade às 19:19
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