Quarta-feira, 9 de Março de 2005

Glória a Amenófis


O quarto, que em Tebas, a santa, construiu um templo ao gato.

Não era um templo a um deus-gato: antropomórfico, bronco, com uma máscara felina, substituindo a de um rafeiro.

Era um templo ao gato - escorreito, vadio, egípcio. O mesmo que em Roma dorme, imperial, nas ruínas.

Em ruínas, também, o templo levantado por Amenófis, em Tebas. Ruínas que se perderam, como se perdeu o desenho, o plano, a sabedoria que o ergueu das margens do Nilo.

Os gatos continuam por toda a parte. Se se procuram, não se encontram. Quando um homem, distraído, avalia a própria inocên­cia e se julga capaz de prová-la, aí está um, de súbito, de garra pronta e olhos fugitivos.

Se soubéssemos o que os gatos sonham, como seria diferente o mundo. Nada de bom, por certo, e ainda bem.


José Alberto de Oliveira (1952) Bestiário

publicado por arcadajade às 21:25
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