Sábado, 29 de Janeiro de 2005

Pequena Elegia


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George Stubbs  

 

                      i.m. nikita (gata da inês) 

 

Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.

Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.

Gatos não morrem: sua fictícia morte
não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.

Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.

Gatos não morrem: mais preciso
― se somem ― é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso

e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.

 

Nelson Ascher, 15/06/02

publicado por arcadajade às 21:19
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