Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Gato, Gato...

Os vocábulos para denominar o gato não provêm do indo-europeu, mas de uma raiz celta do tipo *catt. Há quem pense, contudo, que os nomes europeus para designar o gato poderiam proceder de África, pois encontram-se termos de consonância semelhante em árabe (kit), em núbio (kadis) e em berbere (kaddiska). Mas o empréstimo poderia ter ocorrido em sentido oposto.

Seja como for, o gato doméstico e a palavra cattus aparecem em latim bastante tardiamente, por volta do século V. Em latim existia apenas feles para designar um gato selvagem. Do cattus latino derivam o espanhol e o português gato, o francês chat, o italiano gatto. As formas das línguas germânicas (ing. cat, al. Katze, holandês kat), são um empréstimo das românicas ou então remontaram ao termo celta - se esta etimologia estiver correcta.

Mas passemos a outra coisa. Quando Boileau escreve, na sua primeira Sátira: «J'appelle un chat un chat et Rolet un fripon.» (Chamo gato a um gato e a Rolet, patife, ou: chamo as coisas pelo seu nome), utiliza uma fórmula corrente - «Entendre um chat sans qu'on dise minet.» que joga com o duplo sentido de chat e de minet. Chas, buraco da agulha, que se compara com o sexo feminino, e o seu homófono chat, gato, foi o que permitiu a utilização de chat, chatte ou de minet com o mesmo sentido. O que não significa que se deva desprezar a analogia entre o pelo do gato e o púbis feminino, já que pussy, em inglês e gatto em italiano podem também designar o sexo feminino.

 

Louis-Jean Calvet, Historias de Palabras, Editorial Gredos, Monografias Históricas, Madrid, 1996 (tradução da arcadajade) 

 

 

publicado por arcadajade às 18:24
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