Sábado, 13 de Outubro de 2007

estórias verdadeiras com gatos dentro


Franz Marc, Gato em almofada amarela


Sempre gostei de gatos.
O meu petit nom deve-se a eles.
Quando era petiz roubava todos os gatos que encontrava nas ruas.
Levava-os para casa, ficava feliz.

Minha Mãe safava-se deles...inventava uma cena para justificar o seu desaparecimento.
Na esperança de que um dia eles ficassem para sempre, eu insistia em trazer mais gatos e, não bastando este acrescento de família, até crianças da rua, que saltavam e bricavam comigo em estórias inventadas de bibe. Era um sufoco, concordo, para minha Mãe que tinha que alimentar a gataria e a miudagem toda acampada lá em casa.

O processo repetia-se e os longos sermões, para me demoverem de tais comportamentos. Tudo isso entrava por um ouvido e saía por outro ( deve ser por isso que a Natureza nos dotou com dois ouvidos, e não três, nem um.)
Certa ocasião levei uma sova.
Desta vez jurei a mim mesma que havia de recompensar-me de tal injustiça.
Passaram alguns anos, tinha à volta de quinze para dezasseis primaveras,decidi desaparecer de casa, para dar uma lição mestra a minha Mãe.

(Nessa altura já tinha entrado para a Faculdade, e valeu-me uma Madre - era assim que se chamava à Freira Mestra das Residências para universitárias - a quem propus a minha estadia ali, e o pagamento dela após o meu primeiro trabalho, o que foi integralmente cumprido.)

Agora percebo porque os gatos fazem parte de mim, da minha rua, do meu prédio, da minha cidade, do mundo.
Hoje dedico-me a outras tarefas...

 


maat


publicado por arcadajade às 18:33
link do post | comentar
correio da arca

espólio da arca

sobre mim

tags

todas as tags

RSS

moon phases