Domingo, 11 de Novembro de 2007

Anedota Terrestre

Serigrafia de Júlio Pomar

 

Sempre que os veados passavam atroando
Os ares do Oklahoma
Um gato de fogo eriçava-se no caminho.


Por onde quer que passassem,
Passavam atroando
Até guinarem
Num ápice, curvando
Para a direita,
Por causa do gato de fogo.


Ou até guinarem
Num ápice, curvando
Para a esquerda,
Por causa do gato de fogo.


Os veados atroavam.
O gato de fogo ia pulando,
Para a direita, para a esquerda,
E
Eriçava-se no caminho.


Depois, o gato de fogo fechava os olhos brilhantes
E adormecia.



Wallace Stevens, Harmónio, trad. de Jorge Fazenda Lourenço, Relógio D'Água, Lisboa 2006

publicado por arcadajade às 03:11
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