Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

O Mocho e a Miau

 

 

 

 
Edward Lear, tradução de José Antônio Arantes

 

 

 

 

1

O mocho e a Miau se foram no mar
Num bonito barco verde-ervilha,
Levando mel e dinheiro a granel
Em notas miúdas numa vasilha.
O mocho olhou para os astros no céu
E cantou ao som de uma guitarra:
“Oh, bela Miau! Oh, Miau, fiel,
És uma gata muito rara,
Muito rara,
Muito rara!
 
2
 
A Miau disse ao Mocho: “ave, que colosso!
Cantas com maviosa elegância!
Ah, casemos, esperar mais não podemos!
Mas onde encontrar uma aliança?”
Mar afora, por um ano e uma hora,
Deram na terra onde dão os naguis
E num bosquim viram um bacorim
De anel na ponta do nariz,
Do nariz,
Do nariz,
De anel na ponta do nariz.
 
3
 
“Caro leitão, venderias por um tostão
teu anel?” O leitão respondeu: “Venderia.”
Levaram embora o anel e sem demora
Um peru da colina os casou no outro dia.
Jantaram picadinho e um coquinho,
Comendo com garfolher sem-par;
E de braços dados, à beira-amados,
Os dois dançaram ao luar,
Ao luar,
Ao luar,
Os dois dançaram ao luar.

 

publicado por arcadajade às 03:52
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