Terça-feira, 14 de Maio de 2013

das margens que oprimem o rio

 

Natureza morta social, pintura de Maria João Lopes Fernandes. Outros trabalhos da artista, aqui.

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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Vê se te lembras

 

VÊ SE TE LEMBRAS

Era ainda cedo
vivíamos em tendas
só tínhamos
o que sabíamos transportar:
duas pedras de calcite
numa bacia de água e sal,
o cacto aéreo, desenraizado
como nós,
um jovem gato,
as lembranças guardadas
na bolsa de patchwork
que tínhamos costurado.
E o coração nómada
nómada nómada -
intimorato.

Soledade Santos, Sob os teus pés a terra, Artefacto, 2010


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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

O gato e o copista

 

Em 1420, no que é hoje a Holanda, um copista descobriu que um gato tinha urinado numa página que ele escrevera. O copista incluiu no livro a ilustração e a descrição do ocorrido e acrescentou ainda um conselho:

Nada falta, mas um gato urinou aqui, uma certa noite. Maldito seja o gato que urinou no livro durante a noite, em Deventer e, por causa dele, todos os outros gatos. Tende cuidado para não deixardes livros abertos, à noite, onde os gatos possam ir.

 

(Lido aqui.)

Que os gatos gostam de livros, já se sabia. Mas não que a sua familiaridade com eles vinha de tão longe. Nesta outra imagem, retirada do mesmo site, um gato deixou o rasto da sua "escrita" sobre um pergaminho do séc. XV: 

 

publicado por arcadajade às 20:45
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

...

 

25 de outubro de 1881 - 8 de abril de 1973





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Domingo, 17 de Março de 2013

Senhores silenciosos dos telhados


       fotografia de Ebru Sidar


Senhores silenciosos dos telhados,

sombras dotadas de corpo,

lânguidos e alheios,

menos em março:

gatos.

Em março são provisoriamente animais

e depois regressam à inalcançável altura da sua solidão.

 

Luciano Moreira, in DiVersos 18, Poesia e Tradução, Fevereiro, 2013

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Segunda-feira, 11 de Março de 2013

D. Fuas

                                                                      pintura de Jean-Jacques Bachelier

Dá-se ares de marquês,

seu miar não quer conversa;

é gato, mas não maltês

o altivo bicho persa.

 

Não atende a quem o chama,

nem que vista uniforme;

de dia só quer a cama

onde à noite a dona dorme.

 

É em tom de ameaça

de audaz aventureiro,

que D. Fuas vai à caça

em noites de nevoeiro.

 

Parece um rei embuçado 

com seu ar misterioso;

só falta cantar o fado,

a D. Fuas, o Formoso.

 

                        António José Queirós

publicado por arcadajade às 23:59
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Domingo, 3 de Março de 2013

Um gato de Manet

  Olympia (1863), pintura de Edouard Manet

 

O gato preto, símbolo da superstição e da sensualidade, posicionado ao lado da criada, denuncia estereótipos da época acerca da sexualidade e da feminilidade negra.


Sobre esta bela pintura, que na época causou escândalo, mais aqui e aqui, por exemplo.

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publicado por arcadajade às 10:22
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

P&B

 

 

 

 

 

 

                                                                                          fotografias de Sara Zanini

publicado por arcadajade às 19:36
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2013

Dois gatos de Bocage

 Dois bichanos se encontraram 

Sobre uma trapeira um dia:
(Creio que não foi no tempo
Da amorosa gritaria).

De um deles todo o conchego
Era dormir no borralho;
O outro em leito de senhora
Tinha mimoso agasalho.

Ao primeiro o dono humilde
Espinhas apenas dava;
Com esquisitos manjares

O segundo se engordava.


Miou, e lambeu-o aquele
Por o ver da sua casta;
Eis que o brutinho orgulhoso
De si com desdém o afasta.

Aguda unha vibrando
Lhe diz: ''Gato vil e pobre,
Tens semelhante ousadia
Comigo, opulento, e nobre?

Cuidas que sou como tu?
Asneirão, quanto te enganas!
Entendes que me sustento
De espinhas, ou barbatanas?

Logro tudo o que desejo,
Dão-me de comer na mão;
Tu lazeras, e dormimos
Eu na cama, e tu no chão.

Poderás dizer-me a isto
Que nunca te conheci;
Mas para ver que não minto
Basta-me olhar para ti.''

''Ui! (responde-lhe o gatorro,
Mostrando um ar de estranheza)
És mais que eu? Que distinção
Pôs em nós a Natureza?

Tens mais valor? Eis aqui
A ocasião de o provar.''
''Nada (acode o cavalheiro)
Eu não costumo brigar.''

''Então (torna-lhe enfadado
O nosso vilão ruim)
Se tu não és mais valente,
Em que és sup'rior a mim?

Tu não mias?'' - ''Mio.'' - ''E sentes
Gosto em pilhar algum rato?''
''Sim.'' - E o comes?'' - ''Oh! Se como!...''
''Logo não passas de um gato.

Abate, pois, esse orgulho,
Intratável criatura:
Não tens mais nobreza que eu;
O que tens é mais ventura.''

 

                   Manuel Maria Barbosa du Bocage

publicado por arcadajade às 23:00
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2013

Pussikaten


                                                                                            foto de Alex Howitt 

O gato está a ficar velho.
 
Até há poucos meses
até a própria sombra
lhe parecia uma coisa do outro mundo.
 
Os seus bigodes eléctricos
detectavam tudo:
 
escaravelho,
mosca,
mata-moscas,
tudo tinha um valor específico.
 
Agora vive
agachado ao borralho.
 
Que o cão o fareje
ou os ratos lhe mordam a cauda
são factos sem importância nenhuma para ele.
 
O mundo passa sem pena nem glória
Através dos seus olhos semicerrados.
 
Sabedoria?
Misticismo?
Nirvana?
Tudo isso certamente
e sobretudo
tempo decorrido.
 
O dorso branco de cinza
indica-nos que ele é um gato
que se encontra para lá do bem e do mal.


                                               Nicanor Parra, tradução da arcadajade

publicado por arcadajade às 18:40
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