Os gatos entraram na minha casa
pela porta dissimulada da noite
e não tinham pressa nem sono.
Eram gatos do tamanho de sombras
e trouxeram-me a paz felina
das auroras inquietas, exaltadas.
Nunca mais partiram. Sonharam,
em teias de fumo, a minha evasão
de menino à solta nos livros,
e nunca me disseram aquilo que aprenderam,
sonhando o que sonharam. Imóveis.
José Jorge Letria, O Livro dos Gatos, Universitária Editora, Lisboa, 2001

para a Soledade Santos
um gato deixou o seu sorriso marcado no vidro da janela. o seu miar
ainda se ouve. no quintal. junto à árvore onde costumava afiar as unhas.
era um gato malhado. gostava de andar à chuva. um gato simples. puro.
como outro gato qualquer.
Manuel A. Domingos, em Limites de Luz

Pintura de Ricardo Garcia - acrílico e óleo sobre tela, Junho de 2005.
Gentilmente cedida pelo pintor, cujo Capitão Amendoim é amigo desta Jade e de um certo Nocturno com Gatos.

