Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Os Animais são a nossa História

 Dionisius, mosaico de Pela

 

Durante muito tempo, a disciplina histórica desdenhou a história dos animais: que tinham eles em comum com as paixões humanas, as revoluções, as crises económicas? Havia cavalos bastantes para os cavaleiros, bois diante das charruas, caça para os caçadores, mas os representantes da nossa espécie captavam toda a atenção; só eles sabiam falar, eventualmente escrever, e massacrar-se em nome de grandes ideais. Foi nos anos sessenta, quando surgiram os primeiros gritos de alarme do mouvimento ecologista, que a curiosidade dos historiadores, orientada para múltiplos objectos novos, se dirigiu para um domínio outrora reservado às ciências naturais.

(...)

No Ocidente, na Idade Média, os animais tornaram-se inseparáveis dos homens: alimento, fonte de energia e de matérias primas, mas também companheiros de vida e fonte inesgotável de um maravilhoso nem sempre muito cristão. Contudo, esta proximidade não poupou os animais à violência. No século XIX, depois da revolução agrícola e com a revolução industrial, mais do que nunca escravos para todo o serviço, sofreram o domínio implacável dos donos. «Toda a natureza, escreveu Michelet em Le Peuple, protesta contra a barbárie do homem que menospreza, avilta, que tortura o seu irmão inferior: ela acusa-o, perante Aquele que os criou a ambos.»

A novidade da nossa época é a atenção concedida a todas as espécies, incluindo os animais selvagens em vias de extinção. Talvez seja ainda uma maneira de nos interessarmos por nós-mesmos ou, por outras palavras, pela continuidade entre o animal e o homem.

 

L' Histoire, nº 338 (tradução da arcadajade)

 

publicado por arcadajade às 21:46
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2004

Epigrama funerário

Gato-de-Pompeia.jpg 

o gato de Pompeia

 

A gata doméstica que comeu a minha perdiz
espera viver em nossa casa?
Não, querida perdiz, não te deixarei morrer sem honras,
imolarei sobre ti o teu inimigo.
Porque a tua alma vive atormentada enquanto eu
não fizer tudo o que Pirro fez sobre o túmulo de Aquiles.

 

Agátias, o Escolástico, em Do Mundo Grego Outro Sol, selecção, tradução e notas de Albano Martins, Ed. Asa, Lisboa, 2001

publicado por arcadajade às 22:27
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